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13.o Congresso Internacional da Associação Alemã de Lusitanistas


Espaços, fronteiras e passagens no mundo de língua portuguesa

Universidade de Augsburgo, 11 a 14 de setembro de 2019

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Descrição:

O 13° Congresso Alemão de Lusitanistas focaliza a espacialidade do mundo de língua portuguesa. Variedades linguísticas, literaturas e as particularidades específicas de fenômenos culturais são localizáveis, isto é, elas se manifestam em regiões geográficas determinadas e estão delimitadas local e temporalmente. Mas onde tem fronteiras, também existem brechas, pontes e outras conexões que permitem a passagem de um espaço ao outro, seja de pessoas ou de textos que entram em contato. No Congresso Alemão de Lusitanistas de 2019 queremos discutir onde se situam os espaços, as fronteiras e as passagens com relação ao mundo de língua portuguesa.

A diferenciação da língua portuguesa em diferentes variedades diatópicas começa com a difusão do galego-português para o sul no transcurso da Reconquista. Esta diferenciação continua até os nossos dias, uma vez que o espaço do português se caracteriza por uma vasta diversidade cultural e diversificação linguística. Podem-se identificar delimitações entre as variedades individuais do galego e do português, mas também com relação a outras línguas românicas e línguas de outras famílias. Contudo, muitas vezes os limites entre as variedades não são nítidas, mas tem amplas zonas de transição, e nem sempre as fronteiras políticas coincidem com as fronteiras linguísticas. Por isso, o contato linguístico pode acontecer tanto nas fronteiras entre países quanto dentro de sociedades plurilíngues, em consequência de migrações atuais ou passadas. Pretendemos discutir a extensão espacial do português em situações históricas e na atualidade, sendo que as passagens mencionadas no título do congresso podem ser entendidas como elementos de influência e contato linguísticos. Entretanto, também o conceito de espaço em si pode ser interpretado como espaço variacional, caracterizado por ser multidimensional, isto é, um espaço geográfico, social, político e transnacional.

Contudo, o português não está limitado ao mundo lusófono, mas ultrapassa as fronteiras, no âmbito da internacionalização, como língua estrangeira e de origem. Aqui se apresentam numerosos pontos de referência para a metodologia didática, com reflexões a respeito dos limites e desafios para o português como língua estrangeira nas escolas e universidades a respeito do papel do ensino do português em espaços que não formam parte dos países de língua ofical portuguesa. Nesse contexto, podem focalizar-se os limites e os métodos do português como disciplina escolar, particularmente outrossim com vista a elementos de conexão e nichos no mercado de trabalho.

Também no domínio dos estudos literários culturais o conceito de espaço é central. Teorias sobre o espaço de diversas orientações estão experimentando um auge como paradigma de pesquisa (spacial turn). Filósofos, pesquisadores da área de letras e da sociologia como Arendt, Augé, Bourdieu, Deleuze/Guattari, Foucault, Lotman, Lefebvre, C. Schmitt e muitos outros consideram que o espaço físico pode ser experimentado pelo ser humano apenas quando estiver semantizado. As pessoas constituem espaços e lugares, demarcando-os verbal e fisicamente de outros e determinando assim o seu uso, objetivo e significado. Desta forma nascem lugares de memória (A. Assmann), não-lugares (Augé) e heterotopias (Foucault), mas também distopias e utopias, em um sentido mais amplo. As teorias pós-coloniais denunciam frequentemente a estrutura espacial de cidades, paisagens e sociedades baseada no conceito de “raça”, e recusam a lógica dicotômica tanto do mundo colonial como pós-colonial focalizando os processos de negociação e hibridização de línguas, culturas e identidades em espaços fronteiriços, limiares ou terceiros espaços (Anzaldúa, Mignolo, Quijano). O espaço se utiliza amiúde como metáfora conceptual para fenômenos muito diversos. Porém, a constituição de espaços implica necessariamente fazer distinções, e estas levam muitas vezes à criação de hierarquias, que devem ser questionadas e desconstruídas: “Velho Mundo” vs. “Novo Mundo”, “Primeiro Mundo” vs. “Terceiro Mundo”, etc.

Partindo de conceitos de espaço, experiências-limite, movimentos migratórios, conceitos de memória etc. caberá discutir no 13º Congresso Alemão de Lusitanistas as seguintes questões: Em que lugar mídias, literaturas, culturas, historiografia, narrações, variedades linguísticas e traduções constroem fronteiras ou se deparam com elas? Como essas fronteiras se superam? Onde se produzem entrelaçamentos, confusões, sobreposições, diálogos e deslocações? Em conformidade com as novas pesquisas sobre trans-culturalidade, caberá explorar que tipos de transculturação podem ser rastreadas – tanto sincrônica quanto diacronicamente –, que papel desempenham nisso as passagens e transições, quais construções e reconstruções resultam justamente das transições e interseções e onde está o potencial criativo e produtivo das culturas de língua portuguesa na sua diversidade? A base serão os textos do mundo lusófono e o estudo deles, textos escritos e orais, traduzidos e transcritos, literários, cinematográficos, fotográficos, musi-cais, mas sempre textos. Igualmente podem ser analisadas questões de pesquisa em relação a construções discursivas de identidades transnacionais, estratégias de apaga-mento e traçado de limites, assim como a constituição bilateral de espaços e culturas que são caracterizadas, em parte, por constelações de poder. Além dessas questões será discutido o contato de línguas e culturas, espaços semânticos e travessesias de fronteiras no sentido de transferência translatória.

A Associação Alemã de Lusitanistas e a Universidade de Augsburgo gostariam de ofere-cer com este congresso a possibilidade de discutir e (re)localizar os espaços, as fronteiras e as passagens no mundo de língua portuguesa. Justamente, são essas travessias e passagens entre nossas abordagens por vezes muito heterogêneas dos temas do espaço de língua portuguesa que revelam uma imagem particularmente rica da nossa lusitanística diversa, viva e, no sentido mais puro, transcultural.