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Espaços limiares do Holocausto: a memória no mundo lusófono


Grenzräume des Holocausts: Gedächtnis in der portugiesischsprachigen Welt


Programa de trabalho (palestras) / Arbeitsprogramm (Vorträge)

Hora / Uhrzeit

Quinta-feira, 12 de Setembro de 2019

Donnerstag, 12. September 2019

09:00-09:45

Fernanda Coutinho (UFC):

Apontamentos de diários ou o espaço de páginas íntimas como lugar de transcrição da barbárie

09:45-10:30

Joanna M. Moszczynska (ILA, FU Berlin):

Holocausto nas ficções de memória brasileira: corporalidade e performatividade em Moscovich e em Fux

10:30-11:15

Orlando Grossegesse (UMinho):

Weiter leben de Ruth Kläger – a radução brasileira no ‘polissistema’ da memória e pós-memória do Holocausto no Brasil

14:15-15:00

Paulo Soethe (UFPR):

O diário da queda, de Michel Laub, e Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares

15:00-15:45

Carlos Reiss (Dir. do Museu do Holocausto, Curitiba):

tba

Hora / Uhrzeit

Sexta-feira, 13 de Setembro de 2019

Freitag, 13. September 2019

09:00-09:45

Cláudia Ninhos (FCSH, UNova de Lisboa):

A Memória do Holocausto num País Neutro, Portugal

09:45-10:30

Ana Cristina Luz (UMinho):

A Lista de Aristides de Sousa Mendes – As Personalidades do Mundo da Cultura

10:30-11:15

Luís Pimenta Lopes (UMinho):

„Para os jovens que aprendem nomes complicados / de pronúncia estranha”: Os lugares do horror em textos portugueses do pós-guerra

14:15-15:00

João-Manuel Neves (CEC, ULisboa / CREPAL, UParis 3):

Luta contra a “plutocracia” e império em Herói derradeiro: arqueologia do discurso antisemita de Joaquim Paço d’Arcos

15:00-15:45

Rosa Churcher Clarke (CEC, FLUL):

Ilse Losa e a crónica – a memorialização do Holocausto na literatura e cultura portuguesa

Direção / Sektionsleitung:

Orlando Grossegesse (Universidade do Minho, Braga)

Paulo Soethe (UFPR, Curitiba)

Luís Pimenta Lopes (Universidade do Minho, Braga)

Descrição / Beschreibung:

[deutsche Version unten]

Nas duas últimas décadas, a memória do Holocausto tem vindo a suscitar mais atenção do que nunca, seja em Portugal ou no Brasil, em parte resultante da crescente globalização do discurso do Holocausto. No entanto, não são de subestimar os efeitos específicos deste processo sobre as conceções tradicionais de identidade, história ou cânone nacional. No Brasil, esta dinâmica parte principalmente da literatura. Pensemos em publicações como Mameloshn. Memória em carne viva (2004) de Halina Grynberg, Nas águas do mesmo rio (2005) de Giselda Leirners ou O que os cegos estão sonhando? (2012) de Noemi Jaffe. Sem dúvida, Diário da queda (2011) de Michel Laub obteve o maior êxito, até internacional. No caso de Portugal, as recentes pesquisas sobre trabalhadores portugueses que acabaram por ficar em campos de concentração têm suscitado uma nova onda de interesse público. Em termos gerais, esse interesse leva a questionar o tradicional afastamento de tudo o que se refere à colaboração de ambos os países com o regime nazi, seja ao nível político, económico, científico ou cultural. Da mesma forma, questiona-se a idealização de Portugal e do Brasil como ‘portos de esperança’ para milhares de fugitivos do Holocausto. Neste contexto, releva-se a categoria do bystander, introduzida por Raul Hilberg, para analisar um leque de atitudes tomadas entre passividade e colaboração, contrastando com a intervenção isolada em prol do salvamento (Aristides de Sousa Mendes, João Guimarães Rosa) e com a consciencialização para o Holocausto, muitas vezes através da arte, da literatura e do cinema. Devemos interrogar-nos sobre o papel da memória do Holocausto em diversas fases da vida social em Portugal e no Brasil até aos dias de hoje, abrindo também espaço para uma visão comparativa. Perante a iminente ausência do testemunho direto, todos os processos de transição entre memory e postmemory adquirem maior interesse. Basta lembrar a retoma do título Sob céus estranhos (romance de Ilse Losa, de 1962) por Daniel Blaufuks, em 2007. Trata-se da memória em espaços limiares do Holocausto, transmitida de forma multilingue e (inter)medial. É precisamente nesta posição periférica que surgem outras questões, outras imagens e narrativas, não de menor importância para a compreensão da História, alvejando um presente e um futuro mais humano. Os organizadores desta secção convidam para comunicações com abordagens provenientes dos estudos históricos, culturais e literários, bem como da tradução e da comunicação social.

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In den letzten zwei Jahrzehnten ist sowohl in Brasilien als auch in Portugal das Gedächtnis des Holocaust stärker in das Zentrum des kulturellen Lebens gerückt. Kann man dies einerseits als Folge der Globalisierung des Holocaust-Diskurses sehen, so darf man andererseits auch nicht spezifische Wirkungen auf traditionelle Konzepte nationaler Identität, Geschichte oder Kanon unterschätzen. Diese Dynamik geht in Brasilien eher von der Literatur aus – als Beispiele seien Halina Grynbergs Mameloshn. Memória em carne viva (2004), Giselda Leirners Nas águas do mesmo rio (2005) oder Noemi Jaffes O que os cegos estão sonhando? (2012) genannt. Zweifellos den größten Publikumserfolg erfuhr Michel Laubs Diário da queda (2011). In Portugal hingegen haben neuere historische Forschungen vor allem über Portugiesen als Fremdarbeiter im NS-Reich, die im Konzentrationslagern landeten, Aufsehen erregt. Dies hat insgesamt dazu geführt, über die traditionelle Fernhaltung von allem, was die Verstrickungen der beider Länder auf politischer, wirtschaftlicher, wissenschaftlicher und kultureller Ebene mit dem NS-Regime betrifft, nachzudenken. Ebenso wird die Idealisierung von Portugal und Brasilien als ‚Hafen der Hoffnung‘ für Tausende, die vor dem Holocaust flohen, hinterfragt. Hier wird die von Raul Hilberg eingeführte Kategorie des bystander in all seinen Varianten relevant für die Recherche von Mitwissen, Passivität oder gar Mittäterschaft, auf derem Hintergrund sich einzelne Aktionen der Hilfe (Aristides de Sousa Mendes, João Guimarães Rosa) und der Weckung von Bewußtsein – gerade auch über Kunst, Literatur und Kino – abheben. Es ist zu fragen, welche Rolle das Gedächtnis des Holocaust in der portugiesischen und brasilianischen Gesellschaft spielte und spielt, wobei es auch gilt Verbindungen und Vergleiche aufzuspüren. Zu einem Zeitpunkt, an dem kaum mehr Zeugenbefragungen möglich sind, erlangen alle Prozesse auf der Schwelle zwischen memory und postmemory besonderes Interesse, so wie dies exemplarisch in der Wiederaufnahme des Titels Sob céus estranhos (Ilse Losas Roman von 1962) durch Daniel Blaufuks (2007) deutlich wird. Es geht um ein vielsprachiges und medial vermitteltes Gedächtnis in Grenz- oder Schwellenräumen des Holocaust. Aus eben dieser Position der Peripherie werden andere Themen aufgeworfen, andere Bilder entworfen oder Narrationen geschaffen, die allerdings für das Verständnis von Geschichte für eine humanere Gegenwart und Zukunft nicht weniger wichtig sind. Die Veranstalter dieser Sektion erwarten Beiträge, die sich mit Fragestellungen aus der Perspektive der Geschichts-, Medien-, Kultur- , Literatur- und Übersetzungswissenschaft befassen.

Contacto / Kontakt:

Orlando Grossegesse: ogro@ilch.uminho.pt